Elizabeth Polity

* Trabalho apresentado no Encontro Internacional de Família e Psicanálise – Universidade São Marcos, Agosto de 1998.

1.1- Objetivo
O trabalho pretende enfocar alguns pontos da teoria Winnicottiana aplicados à Terapia Familiar. Em função de minha dupla formação (Psicanalítica e Sistêmica), farei uma leitura tentando conciliar os conceitos desenvolvidos por Winnicott, pontuando alguns princípios da teoria relacional – sistêmica e integrando-os ao trabalho, com o grupo familiar.
O modelo meta-psicológico em Winnicott privilegia a relação mãe-bebê, que pode ser estendida para a relação paciente (s) / terapeuta (s).
Gilberto Safra já mencionou o “terapeuta suficientemente bom” , que seria aquele capaz de conter as angústias dos seus pacientes, oferecendo um continente seguro para os mesmos se desenvolverem.
Acredito ser possível utilizarmos esse conceito, ao se considerar que o terapeuta familiar, pode oferecer um “holding” para o grupo, no qual seus membros poderão “olhar e ser visto”. Como Winnicott afirma : “… quando olho sou visto, logo existo. Agora tenho condições de olhar e ver. Agora olho criativamente, e o que eu apercebo eu também percebo.” (Tudo começa em casa, 1967 ) Destacando-se aí tanto o aspecto interno, da legitimação da existência do sujeito, quanto o aspecto relacional que está implicado ao se estabelecer um contato com o “outro”.

1.2- Desenvolvimento: “O Brincar e a Realidade da Família”

Outro conceito muito presente na obra de Winnicott é o “brincar”. Através dessa atividade pode-se observar o grupo interagindo e consequentemente os mecanismos presentes no universo psíquico da família, que são expressos através de uma atividade relacional.
Os trabalhos de Winnicott voltam-se para o desenvolvimento de uma teoria da cultura, a partir dos seus estudos sobre vínculos existentes, entre os fenômenos transicionais e o brincar .
Neste contexto, a terapia familiar pode ser vista como um ambiente – fora do âmbito familiar – que tanto acolhe, como enfoca o sujeito na esfera das relações sociais. Faz pensar também, que as experiências vividas no seu interior, serão decisivas para seu modo de se colocar no mundo e nas relações com o outro.
Para algumas famílias pode parecer quase impossível entrar em contato com o significado dos problemas que apresentam e com os temores e fantasias por ele encobertos.
O trabalho psicanalítico com famílias, muitas vezes revela (Box, 1997) “que os mecanismos da mente individual encontram expressão em termos do grupo familiar, e como ao se tratar a família como um tipo de entidade ou unidade psíquica, os processos inconscientes podem ser revelados.”
A filosofia por trás desta abordagem não promete milagres ou libertação de angústia. Se, por ventura, isto acontecer, sugere que existe a possibilidade de se começar a conhecer como é estar com a angústia e com outras experiências que impedem a integração, e então, permitir que se trabalhe com ela, ou se assuma suas consequências.

1.3- Características do atendimento:

Do terapeuta suficientemente bom (termo cunhado por Gilberto Safra,1995) não se espera outras qualidades, que não aquelas que a atitude sensível de um ser humano comum possa reunir. Entre elas a capacidade de “ouvir o outro, voz que enuncia, do fundo e de dentro da precariedade de seu existir, os seus desejos e as suas necessidades”. Mas, tal lugar, só e possível a partir de um lugar onde também o terapeuta possa reconhecer, de fato, o quão frágil e precária é a sua própria existência, e que neste aspecto fundamental, a distância entre ele e seus pacientes ( no caso a família) é praticamente inexistente. Neste ponto, observamos uma coincidência com a teoria sistêmica, que apregoa a posição do terapeuta como inserida no sistema e fazendo parte deste.
Considero que um dos aspectos principais da tarefa terapêutica é promover uma mudança psíquica na relação com o objeto, onde se possa aguentar a angústia das próprias fantasias e a angústia que as relações objetais causam, oferecendo a chance para escolhas verdadeiras. O procedimento terapêutico deve possibilitar que as características compulsivas, padrões e reações associados ao relacionamento familiar possam emergir e os obstáculos ao pensamento independente possam ser encarados de uma forma diferente.
Justifico assim a escolha da abordagem Winnicottiana, que se volta aos aspectos relacionais, onde posso ver algumas coincidências com o modelo estrutural, proposto por Minuchin (1983).
Muitas famílias solicitam ajuda, com o pedido de que lhes contemos “como viver”.
O setting terapêutico pode, ao meu ver, ser usado como um lugar seguro, onde se pode experenciar alguns conflitos relacionais, utilizando o continente, o holding, oferecido pelo terapeuta.
A noção de continente refere-se à forma com que o impacto de uma experiência – a sua própria ou a do outro – pode ser registrado e refletido suficientemente, para que tome alguma forma na mente e possa ser verbalizado, trazendo assim a possibilidade do paciente (e da família) de manejá-lo.
Uma mãe ” suficientemente boa” ( um terapeuta suficientemente bom) serve como continente para os sentimento intoleráveis do seu bebê (paciente). Uma mãe equilibrada pode aceitar tais sentimentos e responder terapeuticamente. Isto quer dizer: fazer com que seu bebê sinta que está recebendo de volta sua personalidade, mas de uma forma que ele agora pode tolerar.
Se a mãe não pode tolerar essas projeções, o bebê fica limitado à identificações projetivas repetidas, podendo comprometer seriamente seu desenvolvimento emocional.
O papel da identificação projetiva é crucial também no contexto familiar. Ela é usada tanto para expulsar e rejeitar partes indesejáveis do self, como para um processo de idealização, que permite alguns arranjos inconscientes dentro do grupo familiar.
A diferença entre uma mãe/terapeuta que pode suportar e metabolizar o medo e a dor de seu bebê/paciente, é um elemento decisivo na capacidade futura do sujeito de tolerar e digerir por si mesmo seus sentimentos negativos.
O mesmo pode-se observar em relação às famílias que vêm em busca de ajuda. Elas precisam ser contidas em suas dores, perceberem suas angústias persecutórias (que podem originar fantasias de conluio entre algum membro e o terapeuta), lidar com suas resistências e mecanismos de defesa arraigados e ainda assim, permitir, reconhecer e tolerar a transferência, onde os padrões dinâmicos ocorrem na relação com o terapeuta.

2- A CLÍNICA WINNICOTTIANA E A ABORDAGEM SISTÊMICA

A importância dada por Winnicott ao setting, à pessoa do analista e à experiência, propicia olharmos para a prática como um encontro transformados de potencialidades. Na teoria sistêmica, fala-se na “construção” que ocorre no encontro, entre as ressonâncias sentidas pelo terapeuta e as de seus pacientes.
Segundo esse autor, “o que se passa no encontro é um resgate, não do passado, mas do acontecer, que funda um existir.” Ele enfatiza a capacidade de holding do analista, que deve dar sustentação à realidade, para as vivências do paciente e julga, especialmente importante, que o paciente possa adquirir a capacidade de sentir o que há para ser sentido na vida, incluindo aí a dor e o sofrimento, que fazem parte da saúde.
Em Winnicott, os moldes de atendimento fogem ao padrão clássico do setting, uma vez que existe a disponibilidade do terapeuta em adaptar-se às necessidades do paciente.
Para este autor, o sintoma pode ser entendido como um ato de esperança do paciente. Assim, cabe ao terapeuta trabalhar o meio familiar para que este torne-se tolerante ao sintoma e possa suportar e conter o paciente. Dizemos, na teoria sistêmica, que o sintoma é um pedido de ajuda do paciente, uma porta aberta, que permite aos membros do grupo olharem para suas dinâmicas relacionais e se perguntarem: a serviço de que está este sintoma? (Minuchin, 1996)
Por muitos anos, Winnicott correspondeu-se com as famílias dos pacientes que atendia. Isto servia como ferramenta para pesquisar os estágios primários do desenvolvimento psíquico, já que o vínculo estabelecido relacionava-se com a identificação primária entre a mãe e seu bebê.
Um dos recursos muito utilizados por ele foi a técnica do rabisco . Este procedimento consiste em se começar um desenho e pedir que o paciente o vá completando, a medida que se fala a respeito e se associa fatos, pensamento e sentimentos, numa experiência que conduza a um clima de confiabilidade e onde se favorece que experiências antigas, traumáticas possam ser atualizadas.
À mãe/terapeuta cabe, como precursor do espelho, oferecer a maternagem, que consiste em: apresentar objetos, menejar e oferecer o holding. Contribuindo para o crescimento e o enriquecimento do bebê/paciente.

3 – O TRABALHO COM A FAMÍLIAS

Quero agora, apresentar um caso clínico atendido, onde pretendo pontuar os momentos por mim sentidos como mais significativos e tentar, como já mencionei no início, fazer um paralelo entre os dois olhares: a psicanálise e a teoria sistêmica.
Revendo e considerando o que aconteceu em 14 atendimentos, com periodicidade quinzenal, passarei a trazer a descrição da família S. e os momentos mais significativos para o processo terapêutico.

Paulo (nome fictício), 9 anos – dificuldades na escola (não lê e não escreve) Não apresenta nenhum distúrbio neurológico e tem inteligência compatível com a faixa etária.
É uma criança tímida, com dificuldade para se expressar quando perguntado. Aparentemente é dócil, mas “quando contrariado, tem crises de choro e raiva incontroláveis, “jogando-se no chão e chutando tudo o que vê pela frente” (SIC) Está na primeira série da escola, e diz que não “gosta de estudar”. Além de se sentir impedido de crescer, demonstra uma autoestima conturbada. Tem dificuldade em se centrar nos seus sentimentos, apresentando poucos recursos pessoais para reparar os modelos internalizados danificados.

Marta, 11 anos – muito tímida, dorme quase todas as noites na cama dos pais. Parece alheia a tudo. Só se manifesta quando arguida. Tece alguns comentários desabonadores em relação ao irmão e vez por outra, queixa-se da grande importância dada por sua mãe a este fato. Diz ficar muito aborrecida quando a mãe bebe. Para ela o pai é muito “bonzinho”. Parece que se viu abandonada às próprias forças para se organizar, o que lhe causou desamparo no seu crescimento.

Silvia, mãe,36 anos, profissional liberal. Muito descontente com a situação de P., desqualifica o filho, sistematicamente. Profissional liberal. Afirma ter crises de profunda tristeza alternadas com muita raiva. Nestes momentos ” bebe para esquecer” (SIC). Tem um comportamento arrogante e desafiador : “Vamos ver se você vai dar um jeito nele (Paulo) até agora ninguém conseguiu!”

Hélio, pai 38 anos, engenheiro civil. Figura ausente; pouca participação no meio familiar. Empregado de uma firma de construção. Tímido, submisso, apático. Refere que “faz vinte vezes a mesma coisa até ter certeza que saiu certo”(SIC). Diz-se muito preocupado com sua mãe viúva, mas não vê tanto problema no fato de Paulo ainda não ler. Não entende porque sua mulher se aborrece tanto.

3.1 – “Brincando com a família”

É frequente em terapia familiar utilizarmos a “agenda secreta da família”. Esta refere-se ao que está implícito para o indivíduo, pelo funcionamento do grupo, o que as características individuais podem significar para a família e quais os arranjos internos que determinam a permanência destes comportamentos.
Nas famílias de crianças perturbadas, que é o caso que aqui pretendo examinar, encontra-se com frequência uma criança que se tornou a personificação de certos conflitos familiares que não foram manifestos abertamente, apenas veladamente, e com frequência, inconscientemente, através da criança.
O material sobre o qual escrevo a seguir é sobre uma família cujos membros estavam clara e dolorosamente cientes dos conflitos existentes entre eles, mas, por se tratar de duas crianças pequenas e dois adultos muito envolvidos em sua problemática particular, ficava difícil sua compreensão, embora os pais, principalmente, estivessem interessados em compreender melhor os processos interativos.
Creio poder flexibilizar minha forma de observar esse atendimento, amparada nas ideias Winnicottianas, acima expostas, e na ênfase dada por esse autor às relações mãe-bebê revividas e atualizadas tanto no relacionamento familiar quanto no encontro terapêutico.

3.2- A demanda

Fui procurada pela mãe, Silvia, de 38 anos, que disse estar tendo problemas com seu filho, Paulo, 9 anos, que não conseguia aprender a ler e escrever e atualmente estava se recusando a ir para a escola.
Na primeira sessão, também compareceram o pai, Hélio, 39 anos, e a irmã, Marta, de 10 anos.
Perguntei desde quando isto vinha acontecendo e ela informou, que fora chamada pela escola, havia três meses e a informaram da situação do menino.
Disse estar muito aborrecida e com raiva do marido, pois este parecia não se importar muito.
O sentimento, por mim experimentado, neste primeiro encontro era de uma urgência muito grande por parte da mãe e de uma total indiferença por parte do pai.
Gostaria de fazer um parênteses aqui, para tecer um comentário que julgo importante para o desenrolar deste caso: a maioria das família tem problemas relacionados com o luto. Alguns são evidenciados por morte real na família, mas geralmente é um problema datado de muito tempo atrás e que representa um aspecto importante do seu funcionamento.
Muitas das famílias, portadoras de crianças disfuncionais encaixam-se neste perfil.
Como se sabe, a criança vem inscrita no desejo materno. Quando existe uma grande diferença entre o filho desejado e o filho real, gera-se uma frustração, um processo de luto, que muito raramente é elaborado pela família. Isto faz com que o grupo familiar, em especial a mãe passe a ver a criança como um depositário das suas fantasias destrutivas, persecutórias e ansiógenas, impedindo assim que ela se realize em seu próprio nome.
Gostaria ainda de lembrar, que ler e escrever está intimamente relacionado a entrada do sujeito na Cultura, e que esta é basicamente uma função paterna, de introdução das Lei.

4- ASPECTOS CONTRATRANFERENCIAS: “as ressonâncias”

Muitos foram os sentimento despertados em mim, pela família, e em vários momentos, pude ter contato com eles e utilizá-los em favor do atendimento.
A primeira impressão que tive, era de muita confusão: papéis mal definidos, ligações simbióticas ( Paulo/Silvia; Hélio/mãe), falta de introdução da lei paterna, entre outros.
A dinâmica da família, me fazia sentir: simpatia pela figura frágil do pai, raiva pelo comportamento agressivo e desafiador da mãe, pena pelas limitações de Paulo. Só Marta, não conseguia, a princípio, despertar nenhum sentimento em mim. O que poderia ser muito revelador!
Ao longo do atendimento alternei vários destes sentimentos, sempre tentando usar minha experiência emocional pessoal para enriquecer o trabalho.
Depois de alguns contatos, pude perceber que havíamos estabelecido uma vinculação especialmente rica, que me permitia ser posta no lugar da mãe/terapeuta suficientemente boa, oferecendo holding para os membros da família.
O fato de “brincarmos” facilitou sobremaneira nossa aproximação e me permitiu angariar a confiança e o respeito do grupo. Colocações mais profundas puderam ser feitas, respaldadas que estavam na ligação afetiva por nós construída.
Marta, por ter uma estória de vida muito próxima a minha, foi a que para mim mais dificuldade apresentou. Também eu, fui uma “filha exemplar”, que não tinha possibilidade de falar em meu próprio nome. Trabalhar com limitações muito próximas de nós, obriga-nos a repensar nosso papel no grupo familiar e nosso papel enquanto terapeutas.

4.1 – Desenvolvimento do atendimento

Durante a primeira etapa do tratamento meu enfoque recaiu sobre o papel do porta-voz do grupo, Paulo, que era aquele que trazia o sintoma.
Parecia ser mais fácil para a família falar das dificuldades de Paulo e omitir as dificuldades do casal, e destes com a filha mais velha. Paulo protegia a todos com seu sintoma!
Através da técnica do rabisco fui brincando com a família e fazendo-os se descontrair até que pudessem falar de outras coisas, que não a dificuldade de aprendizagem de Paulo.
Aos poucos, foram aparecendo as dificuldades de relacionamento do casal, inclusive na área sexual.
A mãe falou de seu próprio pai e de como este era uma figura importante e um escritor bem sucedido. Algumas cenas de violência foram aparecendo, quando Silvia bebia. Cenas estas, depois reproduzidas por Paulo quando era contrariado.
Pudemos resgatar a simbiose entre Paulo e sua mãe, num primeiro momento da vida deste, onde ele era o representante do objeto fantasmático das expectativas maternas, e depois, o processo de cisão, onde este filho tornou-se um objeto parcial, depositário das partes negativas e destrutivas, em princípio da mãe, e posteriormente do grupo familiar.
Hélio trouxe sua forte ligação com a figura materna e como esta ainda não autorizara e reconhecera seu casamento, evidenciando um conflito entre sogra e nora. Hélio era mantido infantilizado pela sua “pobre mãe viúva”. E esforçava-se para ser um “bom filho” para Silvia. O que a irritava profundamente, pois em seu mapa de mundo (conceito desenvolvido por El Kain, 1995) ela queria um homem forte e decidido.
De Marta, ficamos sabendo mais tarde, que já publicara um livro infantil (aos 8 anos) e que era muito bem sucedida na escola, sendo portanto o “xodó do avô materno”. Entretanto, de uns tempos para cá, estava tendo problemas para dormir e algumas noites pedia para ir `a cama dos pais.
Soubemos mais tarde, que a mãe se levantava e dava seu lugar para a filha, indo dormir no quarto desta.
A medida que, tomava conhecimento destes aspectos de cada membro do grupo, propunha para eles, buscar o significado e os sentimento presentes neste momentos. Tinha como objetivo, ajudá-los a separar as fantasias individuais, das do grupo, colocadas em cada um. Separar a queixa manifesta das queixas latentes e ainda, nas palavras de Winnicott, “caminhar rumo à independência”.

Minha formação específica, conforme mencionei anteriormente, permitiu-me uma dupla leitura do grupo familiar, onde pretendi integrar e entender os aspectos intra-psíquicos e inter-relacionais, fazendo uma leitura psicanalítica dos aspectos subjetivos individuais e uma leitura sistêmica dos aspectos circulares e relacionais.

5- O DESLIGAMENTO DA FAMÍLIA

O desligamento da família ocorreu quando juntos pudemos observar as mudanças ocorridas em seus membros e a remissão do sintoma por parte de Paulo, que finalmente começara a ler e escrever.
Foi indicada uma terapia individual para Silvia, que foi quem mais se mostrou fragilizada ao término do atendimento.
Hélio conseguiu um emprego melhor, começou a sair de casa com os amigos para jogar futebol, visita sua mãe apenas uma vez por semana e está conseguindo colocar sua voz masculina na família, trazendo o valor do interdito, sobretudo para Paulo.
Marta pode enfim ter sua idade real. Está mais enturmada na escola, brinca com as amigas da mesma idade e aprendeu a trabalhar sua angústia quando vê sua mãe deprimida. Não precisa mais ser a guardiã da saúde da família.
Paulo começa a ler e a escrever suas primeiras palavras. Na penúltima sessão, trouxe-me um bilhete que dizia: “sao palo va se capeao”. É um grande progresso para um garoto que tinha a profecia de ser analfabeto, pelo resto da vida!
A escola informou, que seus episódios de raiva e descontrole estão cada vez mais espaçados e menos intensos. Creio que ele precisa de um tempo, para pôr em prática, as elaborações adquiridas em terapia. Seu tempo cronológico demanda um compasso de espera maior que o emocional.
Pude observar uma modificação importante na maneira como a família se relaciona com os objetos: de uma forma mais satisfatória e adequada às fases de vida de cada um.

7.- BIBLIOGRAFIA
1. BOX, S. e col., Psicoterapia com Famílias, São Paulo, Casa do Psicólogo, 1994.
2. PERCURSO, Revista de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo, ano IX,
no 17, 2o semestre de 1996.
3. SAFRA, G., Momentos Mutativos em Psicanálise, São Paulo, Casa do Psicólogo, 1995.
4. WINNICOTT, D., Tudo começa em casa, São Paulo, Martins Fontes, 1989.
5. _____________, O Brincar e a Realidade, Rio de Janeiro, Imago,1975.